domingo, 5 de junho de 2011

Bye, bye, Rui Pereira e Dalila Araújo


 - Rui Pereira, Ministro da Administração Interna -



- Dalila Araújo, Secretária de Estado da Administração Interna -


Notas do editor deste blogue:
Não sei o que vem aí.
Mas sei que hoje foram "despedidos" dois membros do Governo que fizeram (e deixaram a Direcção Nacional da PSP fazer) a vida negra aos Guardas-Nocturnos de Portugal.

Alberto João
(ex-presidente da Direcção, ex-presidente do Conselho Fiscal, e ex-presidente da Mesa da Assembleia Geral da Associação Nacional de Guardas-Nocturnos)

sábado, 4 de junho de 2011

Academia Militar: Os amores proibidos e o guarda-nocturno empata 'coneiros'

«O regulamento não permite relacionamentos entre os alunos, mas os namoros sempre existiram e alguns até dão em casamento

Jorge perdeu a virgindade aos 21 anos num quarto alugado na Amadora e que era partilhado por oito alunos da Academia Militar (AMA), que servia para se fardarem e desfardarem antes de entrarem na escola. Rui e Elisabete conseguiram namorar em segredo durante quatro meses, até serem apanhados de mãos dadas, no metro, pelo capelão da Academia. Mariana tinha 19 anos, era a melhor aluna do curso, mas engravidou. Foi para casa nas férias de Natal e nunca mais voltou. A namorada de Renato, na sua terra, engravidou e ele escondeu que era pai durante anos para não ser expulso.

O regulamento da AM é claro sobre os relacionamentos dos alunos. Tudo o que saia do "quadro de normal convivência e sã camaradagem" é proibido. As relações podem originar, segundo as normas de vida interna da instituição, "situações perturbadoras da boa harmonia, da coesão e do bom ambiente". Além disso, prejudicam "o rendimento escolar dos alunos". Mas dentro da escola - que, apesar de ser militar, não deixa de ser uma universidade -, há rapazes e raparigas, quase homens e mulheres. "E é claro que havia relacionamentos. Passávamos o tempo quase todo fechados lá dentro, por quem mais nos podíamos interessar senão por outros alunos-cadetes?", admite Maria, ex-aluna, hoje militar. Muitos dos namoros clandestinos até dão, anos mais tarde, em casamento. Dentro das fronteiras da Academia a disciplina é férrea e um breve entrelaçar de mãos, uma troca cúmplice de olhares ou um beijo roubado num vão de escadas vazio são delitos suficientes para acabar com uma carreira militar.

Um sábado de manhã, em 2000, Elisabete perdeu o comboio para o Porto. Rui, que andava de olho nela há vários meses, arriscou tudo e convidou-a para jantar fora da Academia. Eram amigos, do mesmo curso, e já estavam no terceiro ano. Nessa noite jantaram no Saldanha, em Lisboa, e beijaram-se, sem saber como. O momento, breve, mudou tudo. "Foi estranho voltarmos a ver-nos dentro da Academia. Passámos a semana inteira a olhar um para o outro, sem perceber o que nos estava a acontecer", recorda Rui, que hoje é militar do Exército. Pouco depois começaram a namorar clandestinamente - apesar de conhecerem as regras. "A maioria não estão escritas, mas a nossa avaliação era constante e havia olhos em toda a parte, todas as posturas eram controladas", lembra.

Além da rigidez da AM, havia outro senão. Elisabete era a primeira mulher a entrar para Cavalaria e tinha todos os olhos em cima dela: "Esperava-se que tivesse um comportamento exemplar e não queríamos fazer nada que pudesse levar alguém a apontar-lhe um dedo que fosse", conta Rui. Por isso esconderam o relacionamento até dos amigos mais chegados e evitavam-se dentro dos pesados muros da escola.

Nas idas ao cinema arriscavam as mãos dadas, mas assim que chegavam à Rua Gomes Freire - onde os estudos prosseguiam a partir do terceiro ano - as mãos desprendiam-se. Até que um dia foram apanhados em flagrante: Rui e Elisabete namoravam há quatro meses quando deram de caras com o capelão da Academia no metro. Foi tão rápido que nem tiveram tempo de largar as mãos. Eles atrapalhados e o padre com um sorriso cúmplice. "Nunca contou nada a ninguém", recorda Rui. Mas com o passar do tempo as suspeitas adensaram-se. Saíam da escola sempre a horas diferentes. Mas porque é que saíam sempre nos mesmos dias? A turma de Cavalaria só tinha sete alunos. Uma noite, Rui e Elisabete chamaram os colegas ao "aquário" - uma sala de estudo espelhada - e contaram a verdade. As reacções foram diversas. Uns ficaram felizes, outros mais reticentes. "Havia o medo de que a nossa relação pudesse prejudicar a avaliação global do curso", explica o militar. Com ou sem oposição, o namoro continuou. Dormir juntos só aos fins-de-semana, normalmente na Pousada da Juventude de Sintra. Conversas mais longas só no comboio, os dois a caminho do Norte, às sextas-feiras à noite. "De certa forma, foi um namoro à moda antiga", reconhece Rui, que, no entanto, acrescenta logo depois: "Mas sou a favor daquele regime, dá-nos sentido de verdade e de responsabilidade." Rui e Elisabete, os dois militares, hoje com 31 anos, casaram em Agosto de 2007 e têm um filho com quase dois anos.

O azar de Mariana
Era a comandante de Companhia Aluna - CCA, na gíria. Na prática, a líder de todos os alunos e o elo de ligação entre eles e os oficiais. Para conseguir o lugar, teve de ser exemplar em tudo: nas notas, no comportamento, na postura. Mas no início do segundo ano Mariana caiu em tentação e apaixonou-se por um rapaz do mesmo ano. Pouca gente sabia do namoro, só o número suficiente de amigos para garantir a troca de bilhetinhos apaixonados com combinações de encontros secretos, meio em código. Aos 19 anos, Mariana perdeu a virgindade num quarto alugado a duas idosas, perto da Academia, partilhado por quase 30 pessoas. Como os alunos tinham de entrar e sair da AM fardados, precisavam de um espaço para trocar de roupa e era frequente arrendarem quartos nas imediações da escola só para isso. E para passar a noite, de vez em quando e à vez. As duas senhoras viviam praticamente desses rendimentos. "Cobravam 60 contos, já na altura", recorda Maria. Dividido por todos, dava dois contos a cada um. Foi nesse quarto da Amadora que Mariana, rebelde nos treinos físicos, mas ingénua nas coisas da vida, perdeu a virgindade, e engravidou logo.

Assim que o teste da farmácia confirmou os primeiros sintomas de gravidez, foi falar com o comandante de companhia e o capelão. Só tinha uma coisa na cabeça: acontecesse o que acontecesse, não queria ficar mal vista. Sabia que as regras ordenavam a saída imediata, mas queria sair a bem. Dois anos antes, uma aluna tinha sido apanhada pelos colegas a dormir com um rapaz numa camarata. Acusaram-na aos oficiais e todos os "camaradas" deixaram de lhe falar. A rapariga não aguentou e desistiu da escola. "Foi completamente crucificada pelos próprios colegas", recorda Maria, ex-aluna. "Na Academia há normas que não estão escritas, mas estão instituídas, são impostas, apesar de não serem assumidas em lado nenhum", acrescenta.

Mariana fez tudo para que ninguém desse por nada. Era o início de Dezembro e as férias do Natal estavam prestes a chegar. Com a ajuda das três raparigas com quem partilhava a camarata, a CCA fez as malas em segredo: sairia para sempre da Academia no último dia de aulas. Mas nada impedia o namorado de continuar os estudos. Só os militares podem perfilhar crianças, mas ele, ainda cadete, poderia sempre fazê-lo em segredo. Só que não quis: "Se ela não fica, eu também não continuo", decidiu. E foi assim que no último dia de aulas antes das férias do Natal Mariana e Rodolfo saíram juntos pelo portão de armas - com o capelão a espreitar, escondido e comovido, atrás de uma janela. Antes de virarem costas à carreira militar, fizeram continência e choraram diante da bandeira nacional. O seu filho nasceu em 2008.

Mulheres
Maria admite que actualmente o estatuto da mulher dentro da Academia já é "um pouco diferente". No entanto, há dez anos eram poucas e tiveram de ser pioneiras em tudo. Sobretudo a mudar de mentalidades. Eram chamadas, pejorativamente, MISEF - Militares do Sexo Feminino, enquanto os rapazes que fossem vistos com elas recebiam a alcunha de "coneiros" e eram praxados. "Muitos deixavam de nos falar com medo", recorda Maria. "Quando olho para trás, éramos miúdas de 20 anos que não sabiam nada da vida, mas parecíamos ter mais de 30, tal era a rigidez a que estávamos habituadas." Por serem mulheres, tinham de fazer prova de tudo e esforçar-se "muito mais" do que eles para conseguir o que quer que fosse. E havia os boatos: "Se fôssemos vistas na rua com algum militar, já tínhamos ido para a cama com ele."

Os namoricos de Maria foram construídos à base de bilhetes, escritos em código. Dentro do portão de armas, "se ele ia para a esquerda, eu ia para a direita", conta. Porque até cruzar o olhar "podia ser comprometedor". Mas esse ambiente, acha Maria, ampliava todas as emoções: "Um simples toque de cotovelo não intencional numa fila ganhava um significado extraordinário", conta.

Escondeu que era pai
Quando entrou para a Academia, em 1999, Renato não tinha namorada, mas pouco tempo depois começou a namorar com uma rapariga da sua terra, no Norte do país. A relação não era fácil por causa da distância e durante a semana havia o stresse da AM, com o tempo dividido entre treinos físicos intensos e aulas teóricas exigentes. Havia a pressão das boas notas. E havia as viagens semanais à terra. Na prática, Renato e a namorada - que era estudante universitária - só conseguiam namorar aos sábados, porque domingo era dia de vestir a farda e regressar à Amadora para, durante cinco dias seguidos, acordar às 7h. Impreterivelmente. Mesmo assim, a vida corria-lhes bem. Até um dia em que o telefone de Renato tocou: era a namorada, a contar-lhe que estava grávida: "Entrei em pânico", recorda o ex-aluno, hoje militar da GNR. Logo nesse dia, tentou inteirar-se "com muita discrição" das consequências que aquilo que lhe poderia trazer. Depressa percebeu que, se assumisse, seria convidado a sair. "Não está escrito em lado nenhum, mas foi o que me explicaram os oficiais mais antigos", diz. Havia uma saída: perfilhar em segredo e não deixar que se soubesse na Academia. Até ao fim do curso, Renato conseguiu esconder de todos - só um amigo muito chegado soube - , apesar de ter mudado radicalmente de comportamento. Nos anos seguintes, até acabar os estudos, isolou-se. Tinha de cortar com as saídas da AM. Nunca ia a jantares. O dinheiro que recebia enquanto aluno-cadete "era pouco" e tinha de chegar para as viagens ao Norte e para a filha. "Muitas vezes andava preocupado porque a criança estava doente e a distância era sempre terrível", recorda. Podia não ter perfilhado a criança, mas Renato diz que não se arrepende, mesmo tendo transgredido e mentido. "Foi por uma causa muito maior", justifica. Renato tinha 21 anos quando foi pai. Hoje a Carolina tem nove anos.

Saltar a vedação
Jorge e Liliana esbarraram um no outro no final do primeiro ano, enquanto olhavam ao mesmo tempo para a pauta de Análise Matemática. Ela passou e ele tinha chumbado. Quando a escola recomeçou, em Outubro, Liliana estava um ano mais à frente e emprestava-lhe os apontamentos. Foi entre papéis cheios de fórmulas matemáticas que surgiram as primeiras idas inocentes ao cinema. Combinavam a sessão, normalmente no Monumental, compravam os bilhetes em separado e só se encontravam já dentro da sala, no escuro, para não serem vistos. Outras vezes encontravam-se no Centro Comercial Babilónia ou no Colombo. Estavam em 1999 e deram o primeiro beijo dentro do carro dele: "Foi estranho e complicado, não sabíamos como ia ser a partir daquele dia", conta Jorge. O problema nem era tanto que os oficiais viessem a saber. Era que os "companheiros" descobrissem. "Porque o pior que podia acontecer na Academia eram os boatos." Ela ficaria mal vista, ele passaria a ser um "coneiro". Porque "gajo" a sério namorava, mas com raparigas civis, nunca com uma MISEF.

Todos os dias, a seguir ao jantar e até ao recolher obrigatório, em vez de frequentarem as zonas de convívio, Jorge e Liliana refugiavam-se nos vãos de escadas de acesso às camaratas - ele na ala masculina, ela na feminina - e falavam ao telemóvel. Dentro do mesmo edifício. Fora isso, evitavam-se. Nesse mesmo ano, os alunos tiveram um exemplo da perversidade das regras com um caso de um rapaz e uma rapariga de Medicina. Os dois vinham do ensino secundário normal e já namoravam antes de entrar para a Academia: "Sofreram bastante, especialmente ele, porque não estavam habituados àquele mundo e achavam normal estarem sentados à mesma mesa no bar", conta Jorge.

Também foi num quarto alugado para as fardas, a 15 minutos a pé da AM, e já com 21 anos, que Jorge perdeu a virgindade. O espaço era partilhado por oito alunos. "Primeiro ela pedia autorização à senhora da casa para lá dormir e depois implicava uma logística enorme, porque éramos oito e tinha de se fazer escalas para saber quem precisava de lá dormir e em que dias", recorda Jorge. Mesmo com a logística apurada, ainda aconteceu, duas ou três vezes, estarem deitados na cama, debaixo dos lençóis, e entrarem "companheiros" pelo quarto dentro para se fardarem.

Poucos sabiam que namoravam, mas uma noite quase foram apanhados. Os oficiais de dia controlavam as saídas e as entradas através de um sistema de cartões: quando um aluno saía do edifício levava o seu cartão de estudante, que voltava a pôr na recepção quando regressasse. Assim sabia-se sempre quem estava fora. Como não tinham boas notas, Jorge e Liliana tinham direito a poucas saídas. Mesmo assim havia as dispensas de jantar: podia-se sair depois das aulas e voltar às 21h30. Criou-se um esquema para chegar mais tarde: bastava pedir a um colega que entrasse a horas que depositasse o cartão dos "atrasados" na portaria. Depois era só saltar a vedação da Academia pela calada da noite. Até à uma da manhã, os portões abriam de hora a hora. Depois disso só voltavam a abrir às sete da manhã. O melhor momento para saltar a vedação era quando as portas estavam abertas "e todas as atenções viradas para o controlo das entradas e não para o resto do perímetro".

Numa noite, Jorge e Liliana estacionaram o carro ao pé da zona de salto, mas apareceu o guarda nocturno do bairro e não puderam saltar à hora da abertura dos portões, por isso tiveram de esperar mais uma hora até à nova abertura de portões. E reclinaram os bancos para não serem vistos da rua. "Sem saber bem como, deixámo-nos dormir. Aliás, na Academia deixávamo-nos dormir em todo o lado, tal era o cansaço", conta Jorge. Acordaram em pânico, já passava das três da manhã. Arriscaram tudo, saltaram a vedação de madrugada e não foram apanhados. Bastava ter havido uma ronda pelas camaratas - que era habitual - e teriam sido denunciados pelas camas por desfazer. João e Liliana escaparam nessa noite, mas a relação acabou por não continuar. Ela tornou-se militar quando ele ainda estava no tirocínio (estágio, equivalente ao quinto ano). "Vivíamos em mundos diferentes e eu estava concentrado nos estudos", resume Jorge.

Final feliz
Pedro e Catarina beijaram-se um dia, no meio da rua, em Lisboa, depois de quatro anos de "sã camaradagem". Afastaram-se no dia a seguir. "Por causa do desconforto", recorda Pedro. Ele gostava dela, mas não queria prejudicá-la. E a pressão era "enorme". As coisas foram andando assim, "esquisitíssimas", até terem uma conversa. Se gostavam um do outro, haviam de conseguir ficar juntos. Mas em segredo. "A Academia exercia uma pressão forte, que as raparigas sentiam mais. Não era bem visto que uma rapariga se envolvesse com vários rapazes e eu não queria que se soubesse até termos a certeza que ia dar certo, para ela não ficar marcada", recorda Pedro. "Se ela estivesse numa zona de convívio, mesmo com mais pessoas, eu já não entrava", admite. O que os safou foi serem bons alunos e por isso terem direito a muitas saídas. Os encontros, em "centros comerciais pouco frequentados e duvidosos", eram combinados por telemóvel. Tinham 21 anos quando começaram a namorar. Quase dez anos depois, continuam juntos. Partilham casa e carreira e "qualquer dia" querem ter um filho.»

in jornal "i" online, 04-6-2011


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Agente da PSP acusado de homicídio de "Mc Snake" condenado a 20 meses de pena suspensa

«O agente da PSP Nuno Moreira, acusado de homicídio do cantor de rap "Mc Snake" foi hoje condenado nas Varas Criminais de Lisboa a 20 meses de prisão com pena suspensa, pelo crime de homicídio por negligência grosseira.


O agente Nuno Moreira foi acusado pelo Ministério Público (MP) de homicídio qualificado, mas o colectivo de juízes, presidido pelo magistrado Jorge Melo, decidiu alterar a qualificação do crime para homicídio por negligência, acabando condenado pelo crime de homicídio por negligência grosseira.»

Lusa, 03-6-2011

 

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Monchique, Algarve: Militar da GNR morto por disparo acidental da arma de serviço

«Um militar da Guarda Nacional Republicana morreu no domingo à noite no posto de Monchique, no Algarve, na sequência de um disparo acidental com a arma de serviço, disse fonte daquela força.

De acordo com o tenente-coronel Luís Sequeira, o acidente ocorreu cerca das 23.55 horas de domingo, quando o militar, que se preparava para entrar ao serviço, "manuseava a arma de fogo, e esta se disparou acidentalmente".

Segundo a mesma fonte, o militar encontrava-se no interior do posto acompanhado por outros elementos da GNR, onde chegou a ser assistido por uma equipa do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM).

Fonte do INEM disse à Lusa que chegou a ser accionado um helicóptero, mas apesar dos esforços da equipa médica, a vítima acabou por falecer no local "com um ferimento na cabeça, aparentemente provocado por arma de fogo".

O militar, de 27 anos, pertencia ao efectivo da GNR daquele posto algarvio, onde prestava serviço desde 2009.

O tenente-coronel Luís Sequeira acrescentou que foi aberto um inquérito pela GNR para apurar as causas do acidente.»

in JN online, 30-5-2011


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Comerciantes das Caldas da Rainha querem voltar a ter Guardas Nocturnos

«A Associação Comercial está a encetar conversações para contratar guardas-nocturnos de forma a proteger o comércio das Caldas.

A revelação foi feita pelo presidente da ACCCRO, João Frade, que também confirmou que o projecto de videovigilância caiu por terra.

“Caído o processo de colocar câmara de vídeo vigilância, que tinha sido uma solução apontada pelo Governo Civil e que a Câmara e a Associação Comercial tinham estudado, voltamos a conversar com a autarquia e apontamos para a solução de contratar guardas nocturnos”.

Segundo o dirigente o projecto da vídeo vigilância foi posto de parte porque não existe dinheiro por parte do Estado,e também, porque a comissão de protecção de dados tem dificultado muito a implementação deste sistema.

“Óbidos tem este sistema, mas não está autorizada a sua utilização”, lembrou João Frade.

Para o presidente dos comerciantes a solução de colocar guardas nocturnos é agora também uma solução que agrada ao Governo Civil de Leiria.

Para já a Câmara das Caldas aceita pagar metade das despesas com seis profissionais e a ACCCRO espera agendar uma reunião com a Associação de Guardas Nocturnos para decidir a sua implementação.

“Teremos de ver quem e quais são as pessoas que podem estar disponíveis, quais as condições. Aguardamos uma data para essa reunião para avançarmos este processo”.

Esta solução poderá aliviar o sentimento de insegurança nocturna da cidade.

“A PSP faz o que pode com os efectivos que pode. Precisa de mais efectivos, mas pelo que sabemos tão depressa não os terá. Esta solução é para reforçar a segurança e para trabalhar em conjunto com as polícias no sentido de a população e os comerciantes se sentirem seguros. Esta medida é preventiva para não aumentar a criminalidade e para diminuir o vandalismo existente, fruto da instabilidade económica. Vamos combater tudo isso com a colocação destes guardas nocturnos”.

Para já João Frade não coloca de parte a possibilidade de estender esta medida para os associados da AIRO, para dividir despesas, mas tal situação terá de passar por uma reunião entre as instituições.

“Tudo o que seja para reforçar a segurança da actividade empresarial e negócios na cidade, é positivo. Poderemos falar com a AIRO para termos uma parceria. É uma hipótese que poderemos avançar”, disse.

O JORNAL das CALDAS contactou a Associação Nacional de Guardas, que confessou “estar a acompanhar, desde 2003 as notícias sobre a possibilidade de admitirem guardas nocturnos nas Caldas da Rainha”.

Segundo Carlos Tendeiro, presidente da direcção, até ao momento “ainda não fomos contactados”, mas mostrou-se expectante quanto a essa possibilidade.

Segundo o dirigente a admissão é feita através de concurso público, que se encontra a cargo das Câmaras Municipais.

A actividade de guarda nocturno é compensada através da contribuição voluntária de pessoas singulares ou colectivas, contribuindo assim para um reforço da segurança pública no período nocturno, tendo o guarda nocturno “a missão de protecção de pessoas e bens em domínio público, sendo os únicos, para além das forças e serviços de segurança, a poder fazê-lo”.

Segundo Carlos Tendeiro, um guarda nocturno “anda equipado com arma de fogo, cassetete e armas da classe E, nomeadamente, gás pimenta e arma de descarga eléctrica”.

O presidente da associação mostrou saber a tipologia de comércio da cidade das Caldas, mas esclareceu que “os guardas nocturnos não trabalham só para o comércio, mas principalmente para quem reside ou transita nas áreas em que eles trabalham, sendo que a única Associação que pode solicitar a criação ou alteração de áreas, é a de moradores, conforme legislação em vigor”.

Para Carlos Tendeiro, a cidade das Caldas poderá ter dois elementos durante a noite, numa “situação que terá que ser analisada no local, uma vez que os guardas nocturnos recebem contribuições de pessoas singulares ou colectivas, que faz com que os mesmos tenham que ter áreas um pouco extensas que permitam fazer o seu ordenado”.

“As contribuições são voluntárias, e podemos dizer que geralmente o mínimo que é pago é de 3 euros no caso de moradores em prédios, e 15 euros para o comércio, não sendo uma norma geral, pois existem pessoas que derivado ao tipo de residência ou comércio o preferem pagar mais”, esclarece o dirigente.

As vantagens na contratação destes profissionais será o “reforço da Segurança Pública”, e “permite uma redução das taxas de desemprego”.

Os guardas nocturnos colaboram activamente com as forças de segurança, e a sua situação de proximidade com essas forças e com a população torna-se uma mais valia para a prevenção e investigação criminal, uma vez que recolhem muita informação nas ruas e apercebem-se mais facilmente de movimentações suspeitas durante a noite. pelo facto de trabalharem exclusivamente nesse período.»


por Carlos Barroso
(28-4-2011)


quarta-feira, 27 de abril de 2011

Aveiro: Guardas-nocturnos detêm três indivíduos na freguesia de Santa Joana

«Três indivíduos, aparentando ter idades entre os 20 e os 30 anos, foram surpreendidos, na madrugada de sexta-feira passada, por dois guardas-nocturnos, na freguesia de Santa Joana, quando se preparavam para furtar gasóleo de um camião, acabando por ser detidos por estes e entregues à PSP de Aveiro.




O guarda-nocturno da “Área 1” – abrange Santa Joana e Azurva –, que calcula que o grupo seria o mesmo que, na semana anterior, lhe escapou nas mesmas circunstâncias (a tentar furtar gasóleo), contou, desta vez, com o apoio de um colega seu – o guarda-nocturno da Vera Cruz –, acabando, ambos, por surpreender e deter o trio de ladrões.

O grupo de três indivíduos actuava, na altura, junto de um camião de “uma empresa de sucatas”, na Rua Afonso Costa, em Santa Joana, uma zona onde existem vários armazéns.

Segundo o guarda-nocturno da “Área 1”, em declarações ao Diário de Aveiro, no momento da detenção os indivíduos estavam rodeados de “vários potes” e tinham na sua posse, entre outros artigos, “um berbequim”.

Nessa altura, “já estava uma mangueira colocada dentro do depósito do camião”, o que levava a crer que o furto do gasóleo estava prestes a acontecer.

A viatura em que o trio circulava (um Renault Clio) foi também apreendida e entregue à PSP, que terá confirmado à mesma fonte que um dos indivíduos se encontrava já referenciado pelas autoridades policiais.»


Texto in http://www.diarioaveiro.pt/ (27-4-2011)
Imagem in Google

terça-feira, 26 de abril de 2011

Tribunal altera tipificação de crime: Morte de MC Snake passa a homicídio por negligência

«O agente da PSP acusado da morte do rapper MC Snake, nome artístico de Nuno Manaças, irá responder por homicídio negligente em vez de homicídio qualificado. A mudança na tipificação do crime foi anunciada esta terça-feira, na 4.ª Vara Criminal de Lisboa, naquela que deveria ter sido a sessão dedicada à leitura da sentença de Nuno Moreira.

A defesa de Nuno Moreira tem agora dez dias para preparar a argumentação, estando a próxima sessão do julgamento agendada para 17 de Maio.

Familiares de MC Snake presentes no Campus da Justiça de Lisboa reagiram com cautela aos acontecimentos. "Nós acreditamos na Justiça e em Deus", disseram.

Depois de quatro sessões de julgamento na 4.ª Vara Criminal de Lisboa, o Ministério Público disse nas suas alegações finais que, ao disparar sobre o carro em que seguia MC Snake, o agente Nuno Moreira obteve um "resultado desastroso, mas não lhe pode ser imputado" o crime de homicídio qualificado de que foi acusado inicialmente, pedindo assim a sua absolvição.

Na madrugada de 15 de Março de 2010, o rapper evadiu-se pelas quatro da madrugada a uma operação stop de rotina junto à doca de Santo Amaro, em Lisboa.

Nuno Moreira e outros quatro agentes da PSP perseguiram-no até que conseguiram atravessar a carrinha policial à frente do carro de MC Snake na Radial de Benfica.

Os agentes saíram da carrinha quando MC Snake se preparava para fazer inversão de marcha e fugir novamente. Nuno Moreira disparou uma vez para o ar e duas vezes sobre o automóvel, acabando por atingir mortalmente o condutor.

Ao longo do julgamento, Nuno Moreira afirmou sempre que tentou visar os pneus do carro, para o imobilizar, entendendo que o comportamento de MC Snake era imprevisível e podia pôr em risco a vida de outros condutores.

O advogado da família pediu a condenação do agente por considerar que a lei não legitima o uso de arma de fogo numa situação como a que levou à morte do rapper, que não era suspeito de qualquer crime e só cometeu contra-ordenações de trânsito.»


in CM online, 26-4-2011